o evento é desses cárdios e climáticos

seca o molhado e o dourado

cataploft em tumba fria

hoje é festa neste quarteirão de veias

noite em dia e sangue quente

pra fazer o verme andar

que fizeram no teu olho

pra tanta cegueira

que fizeram nessa mulher

pra morrer sem ser chamada

o tempo fechou no teu olho

você viu a outra metade e boiou numa praia

de tombo

vou fazer uma floresta no teu lombo

roubar uma metade para mim, deitar a outra abaixo

devagar enquanto durmo

o negócio é carne e osso

nesse pântano seguro e breve

dois fantasmas fazem graça

e o mundo faz doce

dois fantasmas se repetem e um filho

passa a tarde em suas sombras

quer ver a lua explodir no sol!

tira sarro da sua pele

abre para sempre o coração

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A PROCESS IN THE WEATHER OF THE HEART

A process in the weather of the heart
Turns damp to dry; the golden shot
Storms in the freezing tomb.
A weather in the quartet of the veins
Turns night to day; blood in their suns
Lights up the living worm.

A process in the eye forwarns
The bones of blindness; and the womb
Drives in a death as life leaks out.

A darkness in the weather of the eye
Is half its light; the fathomed sea
Breaks on unangled land.
The seed that makes a forest of the loin
Forks half its fruit; and half drops down,
Slow in a sleeping wind.

A weather in the flesh and bone
Is damp and dry; the quick and dead
Move like two ghosts before the eye.

A process in the weather of the world
Turns ghost to ghost; each mothered child
Sits in their double shade.
A process blows the moon into the sun,
Pulls down the shabby curtains of the skin;
And the heart gives up its dead.

A PROCESS IN THE WEATHER OF THE HEART por Dylan Thomas [The Collected Poems of Dylan Thomas – 1934-1952 – New Directions – eleventh printing]

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