Em todas as coisas, diz Bergson explicando a metafísica de Aristóteles, a natureza deseja o melhor. Natural que o contraponto de uma sagacidade platônica seja um simplismo aristotélico, e ora o contrário, mas queiramos de quem queiramos o bem, é sempre da “passagem da potência ao ato” que falamos. Aceite-se. Não que nada mais exista, mas sim que deste resto apenas verse-se, quando muito, e só. Tal constatação tem o poder de te escalar a uma partida sem fim pelos problemas da nação. Nem tanto que não haja escolha, e mais que todas as escolhas estão contidas na partida.

Desenvolvimento é o que se espera de um ato. Potência é o início de algo novo, seu sujeito. Ato é o horizonte espelhado, o fim deste algo novo. Passar é o movimento, é tudo o que acontece.

Incontáveis são os atos que não dão em desenvolvimento. O movimento, o entre início e fim (nem sempre se pontilha a grande teia com início e fim, mas cada caso, sempre) estava errado, seja por jogar fora o início, seja por declarar outro fim. É ruim, o vício de chamar o que não é desenvolvimento de desenvolvimento potencialmente sustentável. A ideia desenvolvimento sustentável não pode ser diferente da ideia desenvolvimento, e assim o termo desenvolvimento sustentável, por enfraquecer sem propósito o termo desenvolvimento, pode ser tratado com o requinte de resposta que inspira uma agressão gratuita. O que se espera deste pouco requinte é melhorar o agressor, se agredir for sua função; e se não for, coagi-lo a empregar-se.

Defender o termo desenvolvimento sustentável, como já se viu em fóruns de corporações, com a convicção que se deseja desestabilizadora e que emula o artista em vanguarda e cidadão engajado, a de que uma pequena confusão não mata ninguém, no caso da pessoa jurídica, é investir contra a língua e, assim, contra a nação. É difundir um termo que nos desvia da seriedade que o mundo carece. Corporativo, o erro desenvolvimento sustentável ganhou ares de missão e muniu eventos, tornou-se perseguido e ganhou tempo para que empresas errassem mais por mais tempo. Acontece que a internet e a tradição da divisão dos saberes provam: está completamente em volta, a determinação de não comprar, a cada passo para frente na babilônia, seus dois passos para trás. O ato, aqui, é chamar desenvolvimento sustentável de desenvolvimento; e o que não for desenvolvimento, do que for.

Diferentemente de Lobato, não creio que a corrida pelo petróleo seja tão crucial. Ampliaria a concentração e os esforços para o cuidado com a costa. Esta, creio, é mais crucial. Com o mesmo aparato tecnológico e o mesmo contingente humano, há mais chance de desenvolvimento no cuidado da costa que na exploração do pré-sal. Não que seja fácil. Não que se abandone o pré-sal. Melhor: que o pré-sal seja coroado com a melhor costa do mundo.

Não falamos de fazer o bem à natureza, nem de adiar ou preservar nada que não seja urgente. Como imaginar, o tamanho da reação de um Universo que, sem esperança, chamamos de natureza? No ensaio Of drunknness, Montaigne diz (tenho a versão em inglês):

“Nature has willed to reserve to herself these slight marks of her authority, invincible to our reason and to Stoic virtue, in order to teach man his mortality and frailty. He pales with fear, he reddens with shame;”

Só porque “cuidar” é motivado mais por pensamento intuitivo que elaborado, a concorrência costa vs. pré-sal, insisto, não precisa ser ingênua ou carente de técnica. Não precisa ser barata. E se vencer a nossa costa, que renda tanto quanto ou mais, que seja igualmente exemplo mundial, motivo de muitos e grandes contratos.

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