Este foi o ano da Máquina de Derrubar Ministros, já citada neste blog. O ritmo e a desenvoltura, num instante, me fizeram pensar se tudo não tinha sido armado, Vamos encher a esplanada de gente suspeita e ela vai bicudando, um por um. Sei que não. Mas nada se dava de tão chamativo nessas décadas de monotonia democrática desde o filminho da U.R.V. Revigora o cidadão pra subir e descer rampas e escadas e pro parkour em geral, aprender que um dos três poderes se mexe. Uau! Um! Uau, seguimos aqui.

Os partidos gastam dinheiro pra produzir e veicular suas publicidades e elas ficam distantes, quase sempre indiscerníveis e, asco dos ascos, aqui e ali fazendo pouco da inteligência de quem assiste. O pior não é a má comunicação. É o cheiro decisivo que a época de eleição borrifa em cada praça e cada rua com tanto chamado. E o voto, o VOTO!, ganha uma importância que não tem. Este climão racing contenda aquece os veículos, eleições são bom entretenimento e ainda faz-se um caixa. Perfeito! Vamos ver! Mas sabemos: como eles em Brasília, palácios federais etc nos tratam e nos predicam, povo e país, nesses quatro anos entre cada duas eleições, importa mais que um placar, mais que uma logomarca de partido. Importa mais que a história de um partido. As histórias todas dariam, voltando, num desejo louco de ajudar um grupo, e todos os partidos seriam inescapavelmente facciosos. Cansados de utopia por ganância de protagonismo e com a civilidade incrementada, versaram-se no esperanto financeiro e hoje, pelo menos no Brasil, são guichês, favelões de grandes bancos. O quê esperar? Que não haja dirigismo e preferência?

Um cético diria que não. A faxina da Dilma apenas trocou os vampirões e o porco no rolete chamado orçamento vai ser garfado igual. O gangsterismo oficioso, diz, que atribui misticamente pastas a partidos, é inércia odiosa da simpatia colonizante que soterrava o mérito nuns detritos de maquiavelismos ligeiramente calculados, pessimamente escritos. O cético não se precipita e não levanta a vassoura, signo de um amargor provavelmente caro ao cético ou mera implicância estética, a vassoura não substitui bem a bandeira? Deixem ele pra lá.

Mas sorte que quem molda a vida pública muito mais que o Estado são as empresas. Porque na vida de uma empresa cada manhã é uma manhã sem contrato, ela se envaidece. Não soberana, a empresa se cuida mais e, fato interessante, arrisca mais. Não são guichês ou favelões de bancos quanto são seus primos especiais, gente da família. Ainda assim, 2011 será lembrado como o ano em que a Nike não entrou pesado no ramo dos vestidinhos de forró. Alguém pode/consegue me explicar?

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