Chegamos. O esforço de justificar socialmente um princípio cede espaço, decresce, conforme anima-se outro esforço, o de simplesmente não perder um tal princípio. Deslocamento de postura que fez envergonhar a espécie há quantos anos? Para além de quase qualquer remédio. Nações se agrediram com desprezo; o intelecto prostituiu-se e levou ao bordel, com a desculpa de não ter com quem deixá-la, a infanta ciência; à noção de “integridade” alugou-se (por não haver escolha?) um “menos destroçado no final”. Finalmente estamos pensando. Quando lembro, lendo a história, de tempos piores, gosto de buscar textos complexos – não por mais difíceis, mas por mostrarem mais lados de tudo (há textos complexos extremamente simples na poesia). Gente com quem balize meu entusiasmo por ver a mudança (e não viu?). Emerson, por exemplo, de cujo ensaio Compensation traduzi um breve trecho em gentileza aos leitores.

Quando falamos, nos julgamos. Com vontade ou sem, desenhamos e publicamos um auto-retrato em cada palavra que usamos. É quem opina, o que sente a opinião. É bola de novelo no alvo e a outra ponta na sacola do que arremessou. É arpão, preso na baleia, levando conforme ela voa o carretel e o barco juntos. E caso não for bom ou bem jogado, cuidado, o arpão parte em dois o timoneiro; afunda o barco.

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