"Foicezinha", obra em bronze de J. Gonzalez, ante um photoshop

Seguimos na Touro Bengala fazendo uma série de coisas de modo que você não tenha que, acredite, e fique em paz e sempre-vivo para sempre. Compramos as traduções do Drummond, por exemplo, por quase um salário mínimo e diríamos, não fosse a timidez, que “valia dois”. “Su nombre?”, pergunta Frente de Madrid Vicente Aleixandre em El Miliciano Desconocido, um dos poemas do livro, “Su nombre ruede / sobre el estrépito ronco”, ao que Drummond responde, na página de plágio ao lado, “Seu nome? Seu nome erre / por sob o estrépito rouco”. Quem é o gênio, agora?

Outra vez a Ilustríssima passa em nossa nota de corte com um generoso André Sant’Anna não dizendo tudo quando diz que “aquele pretinho de 7 anos de idade, que não dorme debaixo do caixa eletrônico da sua rua, quando tiver 15 anos, não vai se tornar um adolescente perigoso, não vai cometer crimes e não vai ser violento com suas vítimas.”, no texto O Brasil não é ruim.

Pegar o Brasil assim pela mão é ser sempre patriota, mesmo quando se soa antipatriota. Se aquele é o canalha refugiado, este é o desgraçado na intempérie. E todos gostamos de um mínimo de conforto, está provado. Assim que peço aos agentes e cidadãos impacientes com as palavras que não leiam com maus olhos o que se escreve sobre nossos escritores. A maioria, eu disse a maioria do dito, é feita do que Bruss chama de arroto-reflexo. O comentarista não espera a resolução de uma célula rítmica, melódica ou de raciocínio para publicar seu achismo como quem espirrasse, quando o que ele queria, queria mesmo, era exibir um distintivo. De onde vem este desejo? Será de alguma falta?

Estes homens e mulheres que sacrificam a vida para tomar os prédios modernos de Brasília deveriam tomar também posto altíssimo em nossa estima. Não acontece, para usarmos termos doces. “A imprensa conspira contra”, ter-me-ia dito outro dia um Deputado. Meu conselho é este, Deputado: acorde bem cedo a cada dia como se a imprensa ainda não se houvesse fundado. Prossiga num caminhar, se pesado (é um país que tem nos ombros), certo é lépido, até o gabinete onde te aguardam memorandos tentadores, nove carimbos e 70 interessados. Você abre o primeiro memorando enquanto o primeiro interessado toma um café. Você bota a mão num carimbo. A loucura da persiana que se mexe, atrás e na parede ao lado, é a imprensa se fundando. Percebe, Deputado. É como se você pudesse, num ato, fornecer-lhe o material, tudo, tudo do cartum ao mova-se!. Ande logo, caro amigo, pois estaríamos cansados.

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