és ao cabo meio sádico
meio vingativo
quando tentas o completamente justo
e aplica-te à inspeção
(tua não, a dos outros)

teu rol de sacolejos e castigos
não aprumam nem corrigem
antes deixam um tantico assim mais triste
nosso país de amadores
(PARA não, POR amadores)

não aprumam nem corrigem porque falham
quando existem – por exemplo no meandro de um dia
sempre que se dão
dão-se dentro da existência e das coisas
(só corrige o que está longe da medula e não insiste)

“estar sendo”, qualidade-praga
bota o sacolejo ombro-a-ombro co’ bocejo
mais distante da meteorologia
sabe: não há nada na tua violência
que um brevíssimo respirar também não ensine

mas o sádico não quer arrumar, não quer um prumo
quer é se esquecer um pou de si
ocupando um outro. e o vingativo
não vê nada à sua frente que não seja
objeto a trucidar e marcar pontos

tu precisas disso tudo pois não é fácil acordar
num país estagnado
– do sadismo para fugir de uma desgraça
mergulhando noutra
– da vingança para unir

tua vontade de guerra à vaidade
de uma última palavra
mas ela não é nossa, tu sabes eu sei
sejamos então bons animais
e deixemos a justiça fora disso

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