Não gosto de pensar no dia em que será possível a colheita, à distância, dos pensamentos dos funcionários das embaixadas. Burocratas para sempre estrangeiros ilhados em guichês ou mesões de abrir mapa, natural que ora blasfemem, em silêncio, contra os ansiosos por serviço que dia após dia fazem fila e invariavelmente agem como se tudo estivesse demorando muito, demorando demais, tô com fome, aqui há horas etc. Já as ligações telefônicas, penso que devam sim ser grampeadas. Se nossa Defesa não está a grampear ninguém, demorou. Os gringos são muitos, estão profundamente enraizados e tendem a ser, talvez pela enchurrada incessante de desafios idiomáticos, bem mais ligeiros que o andar eventualemente transpareça. Contratem uma boa empresa legal de detetives e mãos à obra. Só não contratem uma empresa como a que faz as máquinas de recarga de Bilhete Único. Não funcionam, nunca funcionaram e se publicarem uma propaganda dessas esverdeadas com trilhozinho (caríssimas) mostrando uma família feliz recarregando seus bilhetes, talvez eu tome como afronta pessoal e faça jardinagem de guerrilha em represália, dentro duma máquina dessas na calada da noite, resgatando sua carcaça da engrenagem picareta e ali botando terra e plantando trezentas mudinhas da Mata Atlântica. Ainda na Sé passei por um dos pianos do bem intencionado programa piano no metrô ou algo assim. Um rapaz tocava e, a mais de um passo do seu cangote, nada se ouvia. Como é isso? Que tal assumir que ela está lá e amplificar a coisa, encher a estação de caixas de som e inclusive os vagões? Ou é uma piada com o piano? Totalizando duas piadas (com a máquina de recarga)? O que um funcionário de embaixada pode dizer que a Defesa do país onde ela está não pode ouvir, no telefone? “Informo e rogo providências urgentes”, no telegrama. Ora, a essas horas? Não tinham visto DOIS FIOS saindo do gancho? Agora o apito. Na primeira vez apenas informei o guardinha que seu apito era ruim. Na próxima vou perguntar quem lhe paga o salário e entrar em contato com esse alguém. Usufruo do apito e quero deliberar. Não podemos, com Copa e Olimpíada vindo aí, relaxar tanto com serviço mal prestado.

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