Erfinda, Jacto & Meirante

peça de agosto ao meu sinal

Voz simpática pelas caixas de som:

– Ninguém é obrigado a pressupor a encosta.

Mix de luz e lembramos que um fade não é sempre reto, até que quase tudo escuro e o adesivo em fade reto até a escuridão.

JACTO
E o que foram essas últimas.

MEIRANTE
Cachu.

JACTO
Fala sério.

MEIRANTE
Entrei numas de categoria.

JACTO
Uaaah. Catas. Não se trata disso em público?

Longo silêncio no breu, voz volta:

– Nem se trata de se categorizar um nome.

Pisca na geleca parcialmente falha a frase:

Mas de se atribuir um peso ao que se faz/se diz dele.

MEIRANTE
O que funciona à antena acusa no momento (no monitor) grandes marcos de atribuição de termos a inventores, castos e soldados.

A mesma voz do início diz (junto a um pouco de luz):

– As manchas, linhas ou desenhos só farão se alterar para servir determinadas regras de evolução em eixos.

 Na geleca parcialmente falha, vê-se o que Meirante vê no monitor.

MEIRANTE
Soldados agora tidos por unânimes, inventores por ventosos e castos por covardes. Três cores de manchas e eu… não tentaria precisar o naipe de eixos. É eixo em quantidade. Vão longe para voltar com o nome unânime e o nome unânime a perseguir o termo soldado. Atribuído, unânime é visado. Visado, destacado. Destacado, tido.

JACTO
Se não é inocente a corrente que pensa haver política na cultura manipulativa, tampouco é a que destaca o pior carrasco como afim.

MEIRANTE
Por que essa posição?

JACTO
Está definida?

MEIRANTE
A estultice pode ser bem clara.

JACTO
Não se trata disso em público!

MEIRANTE
Do fato da expressão à autoridade ser as coxas da história?

JACTO
Do caso do Vinicius.

MEIRANTE
Qual deles?

JACTO
Enquanto a noite enlouquece / seu claustro de ciúmes

MEIRANTE
Espere.

JACTO
É muito movimento em torno disso. Tem que ter apito, imagino.

MEIRANTE
Você ouve seu tom primeiro, Jacto, e então tuna.

JACTO
Sim mas

MEIRANTE
Não antes.

JACTO
Eu não queria te desvairar.

MEIRANTE
Vou muito bem pensando esse desvio qual um prazer.

Voz fria exclamativa junto à luz abrupta de trabalho (a platéia se vê):

– E agora, ao paradoxo!

 Luz de volta ao drama em corte seco.

MEIRANTE
Por ofertar o tomar cedo um lado, a atribuição do unânime é tida por boa. Ela diz: irei abrilhantar ao mesmo tempo que cancelo os dois abismos. Mas soluciona com a facilidade de quem dá um troféu antes da prova: faço-te autoridade para que a não petule.

E nada acontece por um tempo.

JACTO
Nem sempre né.

MEIRANTE
N

JACTO
E os inventores?

O som de milhares de bolinhas de ping-pong demora a revelar padrão no ritmo. Cresce mais e mais alto e quase mais alto que o confortável e então de volta ao normal, com textura agora do aveludado ao aquoso.

Na geleca em plena definição, vê-se o mentalizado entre mon 10:28pm e 10:31pm deste dia primeiro de agosto.

MEIRANTE
Quando alegres, podemos até ser imprevisíveis. Já ameaçados, atribuímos peso ao que se faz/se diz dos nomes, como nas peças de drama. Falar é isso. Mais econômica das atividades. Vejam que barato este cartaz:

tão pagando cinco mil por cada quebra
de humor, por cada fitador disposto ao gelo
é pra usar o termo carne, a sentença fugir
no salto da tarde e o termo blusa
deixar agir

recebem o tom e te acreditam (sic)

JACTO
Fúnebre.

MEIRANTE
Oportunidade de consenso.

JACTO
Enquanto é só oportunidade vão lá e

MEIRANTE
Está se cuidando disso.

JACTO
Pra que cresça forte sei!

MEIRANTE
Pra que desapareça firme.

JACTO
Meirante sempreliso.

MEIRANTE
Pra que suma chispe acabe de uma vez.

JACTO (sentando numa cadeira imaginária)
E onde é que se convergem, onde é que sentam limpos, qual a mesa em que na mesma língua provam: o interesse maluco não tem mais pra onde ir.

MEIRANTE
Precisam anunciar isso, é coisa de

JACTO
Adultos! Dão péssimo nome à economia! Deslizo meus olhos, quer ver!

MEIRANTE
Você, Jacto, é um, se muito.

JACTO
Entre muitos. Ligado a muitos no silêncio do tom que oscila. Quando visto meus pijamas, por exemplo, posso pensar no que quero ou há um limite?

MEIRANTE
Pode pensar no que quer desde que não

JACTO
Estou só, alocando lentamente uma perna no pijama! Não estou operando uma empilhadeira! Céus! Boto minha mente onde quiser!

MEIRANTE
Acho que ainda assim… Esperam um vestir do pijama mais perfeito.

JACTO
Animaizinhos ansiosos de tolos com telas na mão, mal sabem regar o próprio umbigo. Isso não vai mudar o mundo nem ninguém. Ao contrário.

MEIRANTE
Como tudo, vai. Ao contrário.

JACTO
Sim, criando um caos minucioso. Sabe o que é? Medo de inverno.

MEIRANTE
Eu tenho pra te criar, Jacto, fica. Tá um enough.

JACTO
Se instigar a violência tudo bem né afinal é interessante.

MEIRANTE
Há quem diga que é o que querem. E cooptaram as mulheres acadêmicas a pensar que não passa de ferramenta para melhorar o mundo.

JACTO
Duas vezes tolas!

MEIRANTE (faz aspas com os dedos)
“Se é bom para a maioria” – escrevem no verso do cheque.

JACTO
Vou me autodestruir um pouco.

Jacto sai. Meirante ri.

MEIRANTE
Junto!

Luz de trabalho.

Meirante boceja teatralmente e sentado à beira do palco balança as pernas padrão clown. Jacto volta, agradece resignado ou emocionado (aqui o ator é livre pra criar), faz que sai, volta e senta ao lado do Meirante, mesmo padrão.

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