Están a punto de decir… No, no han dicho nada. Irrealidade del mundo, en la última luz de la tarde. Todo está inmóvil, en espera. El poeta sabe ya que no tiene identidad. Como esas casas, casi doradas, casi reales, como esos árboles suspendidos en la hora, él también zarpa de sí mismo. Y no aparece el otro, el doble, el verdadero Pessoa. Nunca aparecerá: no hay otro. Aparece, se insinúa, lo otro, lo que no tiene nombre, lo que no se dice y que nuestras pobres palabras invocan. Es la poesía? No: la poesía es lo que queda y nos consuela, la conciencia de la ausencia. Y de nuevo, casi imperceptible, un rumor de algo: Pessoa o la inminencia de lo desconocido.

Mais Octavio Paz, em trecho do prólogo da Antología de Fernando Pessoa saída no México em 1961. Como é para você, leitor, descobrir e sempre descobrir Pessoa? Comprei o Livro do Desassossego no kindle, recomendo, eles combinam. Conheço gente que estuda a sério esse baralho, são muitas histórias de possíveis combinações de páginas, saltos, voltas e repetições; gente que vai atrás do muito (ainda, muito) do que não se leu do Pessoa em parte alguma, desde cartas a autos de defesa. No trecho que leio agora no leitor: “Como Diógenes a Alexandre, só pedi à vida que me não tirasse o sol. Tive desejos, mas foi-me negada a razão de tê-los.” Provavelmente o maior poeta moderno (“pegou a Rússia numa mão”, diria Bruss, “França em outra e deglutiu-as à inglesa”), falta gente debruçada em seu legado. “Provavelmente sou um histérico-neurastênico”, disse o poeta certa feita. Tentava por em psicologia seus famosos heterônimos. Por que ele simplesmente não andou livre por aí tendo heterônimos e chegou a parar tudo, quanto deve ter durado essa uma tarde, para tentar botá-los em termos outros que não os símbolos sensíveis da poesia mesma, eis, triste, um troço que já me deveria escapar mas não, fica. Infelizmente consigo entender, infelizmente. Para Paz, a explicação psicológica não é boa nem má, mas pouca: “El neurótico padece de sus obsesiones; el creador es su dueño y las transforma”, ensina o intelectual e também poeta para quem Tabacaria é um dos textos mais “lúcidos e amargos” do século XX.

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