Hoje se falou dos segredos do Brasil Nunca Mais, da anexação do Acre, dos quadros de tortura da Ditadura e dos crimes tipo ficção científica da era Collor, entre, obviamente, segredos de interesse estratégico que salvaguardam nossas fronteiras. É de se imaginar, a bagunça, caso esses segredos vazassem. Já os primeiros segredos, que tratam das fronteiras para dentro e das pessoas dentro delas, só fariam aumentar a segurança se publicizados. O contrário é falta de fé de um Governo em seu povo, um distanciamento que enfraquece a confiança nossa para com o Planeta Brasília, essa bizarrice de lugar. Que o Executivo venha para a Berrini de uma vez. O Judiciário para o centro do Rio. E o Legislativo para uma serra facilmente acessível de bicicleta, de modo que qualquer um pode aparecer e dar um bom dia cordial a seu representante, levando um estilingue no bolso ou não, já não importaria. Fora o espaço que a gente ganha. Todas as edificações da política oficial em Brasília poderiam suportar uma revolucionária Universidade/Parque Temático, ou virar locação de uma série teledramatúrgica eterna, abrigar uma sucessão de festivais de música e dança entre grandes e amplificados palcos, música orquestral e de câmara, cantos em centenas de vozes, rodas de viola, trios com sanfona e tambor, sopros de todo tipo, música cigana de todo tipo e do tipo tradicional e jazz e drones, eu poderia seguir até umas horas. Mas não. Vamos lá e dizem que haverá sigilo eterno. “Digam que haverá sigilo eterno, hoje tem futebol na tv.” Aposto que alguém soltou essa, lá. “Digam que vão trabalhar e não encham o saco. O que eles querem agora? São 40 milhões sem comida antes das narrativazinhas deles! Que paguem os impostos e abusem dos importados, ou acham que esse puta câmbio vai durar para sempre?” Imagino uma mesa com seis jornalistas suados em Brasília, delirando e enchendo a cara, estupefatos e adorando tudo isso, formulando todos os tipos de atrocidades e temperando-as com fofocas factuais, para prender a atenção. Vamos ver amanhã.

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