– Vivia-se enfim, e mais uma vez, a “poderosa reconfiguração das formas literárias”. Polaridades derretiam-se na velocidade do som e suas antigas normas, persistentes na retina (eis um teste), confundiam médicos, advogados e professores que, no lugar de assumir a crise de meia idade antecipada, entupiam-se de soluções vencidas e davam um péssimo nome à seriedade. Ressacralizem as coisas terrenas, cabecinhas de pedra.

– O fim do progresso da técnica seria bem menos misterioso que o ciclo das almas. Progresso da técnica, coisa em muito terrena, quer o mesmo que cada mulher-liga ou homem-liga: diminuir o seu e o total sofrimento usando, co-fundindo e distribuindo as ferramentas, do entretenimento às terapias, dos segredos às leis. Não emperrem isso, senhores do lucro. Na minha cabeça, é crime.

– Coisa terrena. O modo, por exemplo, da luz branca se dividir. Não é igual, necessariamente, aos modos com que teóricos e governantes explicam e controlam. Coisa terrena em intersecção à coisa humana, e não esta contida naquela. Força de vontade não é Senhora nem Viúva: vive ombro a ombro com a razão.

– Se a crítica literária, coisa humana em pleno contato com a coisa terrena, tem por função ser “farol na costa da morte”, conciliando conceitos sobreviventes com o prazer da produção, a crítica comunitária aparece camuflada nesse manto enfumaçado da pressa, nesses óculos arregalados frente ao suposto relógio de areia. Desnudá-la e acalmá-la, eis um trabalho que pede ajuda.

– Des-deslumbrá-la. Ou gostamos de lembrar crianças enterrando o baldinho novo na cabeça, batendo nele com a pazinha nova e correndo com fome para o fundo do mar? Antes, queremos brilhar, brilhar e alcançar muito longe, acolher e não ter medo da ionosfera, respeitar o que ficou de belo das antigas formas de conceber e celebrar e manter garbosa e trabalhada a individualidade, ou seu eco, na lida social – e tudo bem, se parece teatro. Que seja, convenhamos, belo.

– Assim que a Touro Bengala Livros Fictícia deseja ao leitor tempos ricos e dados, que chova e faça sol na sua horta variada, que a graça abunde em sua família, que aliados surpreendentes habitem seus sonhos e muito mais que um “vire-se”, um viremo-nos.

– Até mais.

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