Ah, pequena forma,
ouviste este zunido que passou,
…………………………………………viste,
duas vezes?
Então.
Mais que uma ave,
eram cinco.
Cinco aves.
Cinco aves bravas baixo tempo de madeira boa.
Tempo incólume de chuva e sol.

“Lusco-fusco sem sufrágio. Inaceitável”, disse uma,
os bicos rijos.
“São setecentos mil jovens beneficiados, ou seja, são um
milhão e meio de jovens beneficiados”, fustigou nossa segunda,
já pensando em outra vida.

Duas dessas cinco ou quatro aves foram vistas,
novo zunido,
……………vistas,
outro (ouviste? outro!) acompanhando enormemente as ondas.
Para quê?
Para comer, afundar e coçar o sono alheio,
como se Walt Whitman não fosse vivo.

“É grave”, apontou uma terceira,
noveleira, coração de manteiga,
rolo de macarrão à mão,
e arrematou, “É tudo coisa da rede manchete”,
em meias grossas no piso de vento.

A quarta ave, dor ateia indignada, achava feia
a nuvem nula e ameaçava: “Ai de quem,
ai de quem me arruinar a nuvem fula”

A quinta pobre ave, do alto do seu azul:
“Eu tenho as chaves.
Tenho o sopro do passado em minhas costas.
Só faço avançar. Avançar. AvanÇAR. AVANÇAR.
Mas também sei parar o tempo, ou como se,
e levitar.”

Ah, pequena forma, esse zunido é tamanho,
sai de ti
e é todo nosso.

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