A terça é a nova sexta no trânsito em São Paulo, Beuys, e a sexta é o próprio inferno. Mesmo assim fui ver tua exposição, que bem poderia estar online, e gostei muito. Pra compensar o táxi da ida, voltei a pé, e acabei me perdendo um pouco, mas logo achei um ponto de ônibus. Pouco depois, passou um ônibus que me deixou perto de casa. Beuys, meu amigo Beuys, quantos cartazes. Dizem que você é o maior artista alemão do século passado, o que diz muito pouco. Maior ao lado de artista ao lado de alemão, grandeza (pro que não tem tamanho), ofício incerto (o senhor era um cientista social, Beuys) e nacionalidade (esta palavra longa, mas que no fim, localiza). Te achei bem fecundo, camarada. No meio da sala um vídeo mostra você debatendo sua obra com uns colegas. Você a coloca com paixão inspiradora e brilhos nos olhos, feito um bom professor. Havia entre aqueles estetas a necessidade de se fechar uns consensos, talvez por esporte, não sei, o fato é que filmaram. O homem é múltiplo E dotado de inesgotável individualidade criadora. Ficaram todos satisfeitos. A maioria de suas profecias se realizaram, ou estão claramente a caminho. A parte da política vem se adaptando aos seus desejos mais esquisitos (para a época), pois foram ver e acharam bom, desde que feito direito. Todos falando e acertando os pontos, como você quis, meu prolífico Beuys. Você tem um olho muito bom para diagramação, cores, um bom senso de proporção e um ritmo entre os que me afino. Do que eu li na conclamação (chega uma hora em que tem que ajoelhar), entendi seu otimismo essencial, sua cabeça de engenheiro e seu espírito de construtor. Muito bom, Beuys. Você está muito bem.

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